domingo, 17 de abril de 2011

Mar de quê?

Construo uma casa de sonhos, navego um barco de nuvens num mar de versos. E sigo viagem adentrando as ondas calmas ou revoltas dos meus pensamentos mais íntimos, dos meus sentimentos não-revelados, dos meus atos falhos, dos meus defeitos dos quais sou refém. E como dizia Lispector, "até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso". Deixo-os em paz então. Até os defeitos têm sua razão de existir. E eu que sou berço de poemas inexplicados, entardeço neste mar tão imenso. Mar de quê? Cada um é um mar. Tem gente que é só amores, tem gente que é só alegria, tem gente que acha que tudo é só um mar de ilusão e que felicidade é só momento, as ondas que vem e que vão. Eu quero ser o mar inteiro e que as ondas sejam parte somente da minha constituição. Mar de quê?, eu pergunto. Hoje eu sou só calmaria, amanhã sou ânsia e, no fim do dia, sou maré cheia. 

Construo uma casa de sonhos, 
Navego um barco de nuvens 
Num mar de versos.
Eu que hoje sou calmaria,
Também sou ânsia e maré.
Eu sou um mar de coisas,
Um mar de poesia,
Um mar de sei-lá-o-quê.




Verão de 1867, Claude Monet
 Impressionismo.

4 comentários:

ACONTECE disse...

Amo Monet...
E as suas poesias são sempre impressionantes...
Bjos

Sandrio cândido. disse...

Persiste a pergunta
beijos

†† Ð'ART †† disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
†† Ð'ART †† disse...

Moça-Mar
Mar-Vivo,
Quando o sol feito em aquarela
Chega, colado num céu cheio de núvens de baunilhas;
Ressalta a tez dessa minh'angra,
Dançando num mais belo elo-olhar da vida.

Elo que percorrem na visão desta longa costa
A visão do horizonte i(n)mens, imerso
Sobre o chapeu os fios brancos de cabelos
Que o tempo trouxe-nos de bom grado
Num elocutório de sopro de vento.

Um sorriso súbitamente me rasga a face,
Me jurando uma furtada felicidade
Trazendo no afã uma calmaria,
E no berço dessa núvem volátil
Um refém desse mar-inteiro.

E sobre toda essa ardencia i(n)mersa,
No imersivel mar-dos-olhos um transbordar,
Então, de súbita traquinagem me veio uma pergunta;
O que há além - para-além-mar?

Quão dificil me surgiu esse colorir,
Pintado de um sutil manto azul
Borrada dum respingo branco,
E nelas, como dessas núvens velozes
Eu me perdi, me fui nesse imenso-mar.


- Fiquei ecstasiado com tais palavras, e nem se fala da obra do grande Monet,cara companheira de um escafandro-compartilhado!

Cordialmente,

De um Peregrinador

Giordano Bruno de LaMarques