quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tarde de verão


A Escafandrista



Tomou um último gole de vinho. Ouvia-se o coração bater ao longe, como se dentro do peito soasse um relógio antigo, badalando, como um sino de uma igrejinha daquelas no interior. O peito era cela em que rebelava-se, prisioneiro, um coração desejante. Apesar de tudo, restava ainda, no terreno fértil das lembranças, no gosto doce da boca, a esperança que banhava aquela tarde com as cores de um verão quase febril e passageiro.


15 comentários:

Thiago Quintella de Mattos disse...

Um relógio antigo, de descompassa as emoções. Bate mas não se liberta ao mesmo tempo que anda vivo, bate.

Paulo Francisco disse...

Gostei do texto.
Adorei a frase: ¨O peito era cela em que rebelava-se, prisioneiro, um coração desejante.¨
Um beijo.

A Escafandrista disse...

Linda reflexão, Thiago!!!

Paulo, a frase que vc citou, veio lá do fundo do coração mesmo! rs

Cris disse...

Depois de ler as citações acima me pergunto. Por que ñ deixar livre esse coração? Não gosto da idéia de prisão... q pretensão a minha, intrometer no q escreves, rs...tlz por acreditar q amores são sempre possíveis. Bjãooo.

A Escafandrista disse...

Oi, Cris. Obrigada pelo comentário.

O coração prisioneiro do peito, só uma figura de linguagem... mas o peito pode ser cela, casa, baú, catedral... acho que tem signififcados diferentes para cada um.

Acabei de ouvir que essa poesia era a descrição de um orgasmo! rs É isso, depois que se escreve a poesia, ela é de quem lê...

Bjs a todos!

Bruna Fernanda, 24 anos! disse...

NOssa
Bem reflexivo
Adorei, belas palavras, sábias!
Vou te seguir, bjs
S poder me seguir tb, agradeço =D

Carlos Howes disse...

"O peito era cela em que rebelava-se, prisioneiro, um coração desejante."

Um coração cerrado por um sentimento oculto, e refrescado pela distância das lembranças...

Um belo texto, sem dúvida alguma. Teu blog também foi adicionado!

beijo.

Malu disse...

Oi !
Obrigada pelo super elogio ... :)

Mas seu blog também é super legal , tem textos maravilhosos.
Te Sigo com Alegria.


Bjo Grande.

Franck disse...

Desejei uma tarde assim: blues, relógio quase parando, coração pássaro no peito, goles de vinho e um desejo latente presente...
Bjs*

valeria soares disse...

Que lindo!!! Amei.

Cris disse...

É... vc tá certa Rafa, depois que se escreve a poesia, ela é de quem lê...

Bjãoooo.

RosaMaria disse...

Belissimo texto.

Germano Xavier disse...

Passei e que bom!

Suzi Montenegro disse...

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Saudades de ti e dos teus escritos, Rafa!

Apesar de tudo, sempre fica na boca o doce sabor da esperança.

Uma outra tarde, um outro vinho, um outro verão... o mesmo coração. (será?)

Somos seres contraditórios por natureza, nunca podemos saber o que sentiremos amanhã. E é bom que seja assim, pois nenhum sofrimento será eterno.

Beijos, dona encantada!

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A. Reiffer disse...

Grato pelo comentário, e parabéns pelo seu blog, é realmente muito bom. Abraços!