quinta-feira, 24 de março de 2011

Voar


 




 
Estou farta dos discursos rasos. Farta daqueles que reclamam, chegam até a poetizar em suas filosofias (também rasas), dizendo-se baseados em Nietzsche, Heidegger, Sartre. Estou farta de tanta teoria para viver e tão pouco tato para a prática. Deixem os filósofos descansarem em paz. Deixe que a poesia descanse viva ou morta, não a procure. Deixe que ela te encontre e, te encontrando, deixe que te surpreenda. Siga o fluxo natural das coisas, dance conforme a música e pare de se lamentar da vida que não teve, do dinheiro que não ganhou, do amor que não recebeu. E o tal "aqui e agora"? É o que se tem, de fato. Então permita-se ter a vida que quiser ter, ganhar e perder dinheiro (perder faz parte também) e, acima de tudo, permita-se dar o amor que gostaria de receber. E mais tarde, chegando a derradeira hora, poderá talvez arrepender-se do que fez, porque viveu. Só os covardes arrependem-se daquilo que nunca tiveram coragem de fazer, da vida que não ousaram ter, do dinheiro que não arriscaram perder, do amor que tiveram medo de dar. Ouse tecer suas próprias asas e voar.

16 comentários:

Paulo Francisco disse...

Acho que vou seguir o seu conselho.
Um beijo

A Escafandrista disse...

Você já voa, Paulo. Cada poesia sua tem um par de asas ;)

Poemas e Amizades disse...

Ah! Como lembrou-me Manuel Bandeira: “estou farto do lirismo comedido!... Não quero saber do lirismo que não é libertação!” A ousadia foi concedida não comedidamente, de modo que uns voam – outros rastejam; ; uns, de algumas das muitas coisas que fizeram, outros, de muitas das coisas que passaram a vida inteira apenas querendo fazer... Perfeito, escafandrista! Por que dourarmos a pílula, se estará em nossa caixa de remédios e nunca sentiremos que efeito tinha?! Ao voo, poetisa! Antes do 14 Bis voar, tentamos voar 14 vezes, ou outra caímos e nos arrebentamos,
noutra, não saiu do lugar, noutras saiu e não subiu... Ah, mas numa, finalmente, entramos para a História!
Um beijo carinhoso
Lello

Julio disse...

Achei o texto muitoo preocupado com o vil metal. Repete por três vezes a palavra dinheiro.

Marcelo R. Rezende disse...

E o que me estranha são os pseud-poetas tentando filosofar, duma filosofia já batida, tentando ser taciturnos, sendo que, com exceção a Nietzsche, todos eles eram capciosos, irônicos e muito leves. Acho que escrevem gravemente pra poderem enxergar alguma seriedade nas linhas que rabiscam. Por isso que eu prefiro muito mais as teorias e filosofias em que se defende o menos, o simples, o coeso. É na pequenez das coisas que a gente acha os diamanates, os sorrisos, os amores.


Amei seu texto, como sempre.
Uma ótima sexta.

A Escafandrista disse...

Caro Júlio, a palavra dinheiro aparece na mesma frequencia que a palavra AMOR. A idéia central do texto é a PRESENTIFICAÇÃO, mas as interpretações ficam por conta de cada leitor ;)

RosaMaria disse...

'ó os covardes arrependem-se daquilo que nunca tiveram coragem de fazer, da vida que não ousaram ter, do dinheiro que não arriscaram perder, do amor que tiveram medo de dar. Ouse tecer suas próprias asas e voar'

Perfeito demais!

Beijão

Zélia disse...

Querida, vc disse tudo! Vou apenas repetir a sua frase mais forte nesse texto:

"Ouse tecer suas próprias asas e voar."

Só assim poderemos viver verdadeiramente.

Bjo!

Sandrio cândido. disse...

Ih!
estou perdido então, sem poesia e filosofia perco o sentido da vida.
beijos

Cris disse...

Ueba!!! Texto vivo... se rebelando rs. Cheio de paixão. Sinceramente, adorei!! Bjãooo.

Maria Gabriela disse...

Voei até aqui e senti o vento e o sol a meu favor. Sabia que tinha algo lindo escrito aqui.

:)

beijo escafandrita.

valeria soares disse...

Lindo!!!!!

Flor com Espinhos disse...

poeticamente real...

Cristiano Guerra disse...

E moça do escafandro, você falou da sua maneira coisas que eu sempre acreditei.

Tenha coragem para algumas coisas e permita-se para outras. Porque isso é viver.

Perfeita e sensível, como todas as vezes. Um abraço, moça.

Impoesia sim disse...

Não sei qual o pivor do texto, mas é bem pertinente. O caminho da ascensão se presente no que escreves. Tenho sempre a a sensação de que há muita coisa boa para vir a luz.

Deixo em agradecimento e para repercutir mais ainda o texto um poema do poeta carioca Francisco Octaviano.


Um cheiro em ti.
...................

Quem passou a vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.

Francisco Octaviano

Leandro Luz disse...

Que texto lindo, meu bem!
Vir aqui é ter a certeza de encontrar forças pra acreditar a cada dia que a gente pode fazer a diferença e ser feliz!

Obrigado pelas suas palavras que sempre me acertam na hora em que eu preciso!

Beijos.