domingo, 25 de julho de 2010

Se...


"Sei lá o que te dá, não quer meu calor...
São Jorge, por favor, me empresta o dragão..."

Se, Djavan

sábado, 24 de julho de 2010

Recordações



Hoje senti que certas coisas deveriam ficar numa gaveta e não mais saírem de lá. Descobri que cada coisa tem o seu lugar, mas a gente teima em retirá-las. Um bilhete que a gente encontra na agenda, uma fotografia no final do álbum, aquela pessoa que estava quieta no lugar dela e a gente foi procurar.

E tudo traz à tona as recordações. E as recordações trazem à tona os sentimentos. E de repente, tudo se torna complicado, bilhete na agenda se torna saudade, e sentimento se torna ato falho. Aprendida a lição, fica o lembrete: não mexer em nada que esteja quieto em seu lugar.

Imagem do tumblr

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Hoje eu acordei assim


Hoje eu acordei assim, com saudade de tudo. Acordei meio estranha, indeterminada, sem saber os planos para este dia. E senti-me meio assim... à deriva, como barco solto no mar. Deu vontade de deixar assim mesmo, tudo flutuando solto, deixando o vento soprar e levar. Nenhuma vontade de seguir em frente, nem retornar. Nenhum medo, nenhuma ânsia. Apenas acordei assim, leve, como um barco que se deixa levar pelo mar. E descobri que é assim mesmo que deveria acordar quase todos os dias, sem muitos planos, sem ânsias, apenas deixando o vento soprar e dizer as rotas a seguir... E quem sabe assim as coisas aconteçam, quem sabe assim tudo corra bem, quem sabe assim não seja necessário lutar contra nada, não seja preciso levantar bandeiras, não seja preciso abandonar sonhos. Quem sabe?


Imagem da web

terça-feira, 20 de julho de 2010

Das minhas urgências




Entra aqui.
Entra e fecha a porta.
Entra e esquece
O que você deixou pra trás.
Equaliza sua vibração com a minha.
Entra aqui e fica...
No meu peito, na minha cama,
Na minha vida.
Entra aqui e fica,
Pra sempre,
Agora...
É urgente!



Imagem: waiting by my window

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A nossa casa




Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Pra você vir e ver
Que eu posso ser
Quem você sempre quis.


Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Com espelhos pra você se ver
E uma cama pra gente não dormir.


Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Nas minhas poesias,
Na minha vida,
Pra sempre.


Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Eu fiz verão em dia gris,
Pra você vir e ver
Que eu posso ser
Quem você sempre quis.


Imagem: Casa del giardiniere de Claude Monet

As palavras



Dizem que as palavras tem poder. Poder de quê? De transformar ferro em ouro? De transformar? Será que alguém transforma-se ao ler/escrever uma poesia?

Clarice Lispector disse: "Escrevo como se fosse pra salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida". E sabemos que ela, mais do que ninguém, sabia encontrar na escrita o seu escape. Há quem escreva mesmo como uma tentativa, às vezes frustrada, de salvar-se, como quem arrebenta o próprio casulo, como quem sai do ponto de conforto e foge. Simplesmente foge.

Dizem que as palavras tem poder, mas o silêncio também. Muitas vezes o silêncio comunica bem mais e melhor que mil palavras. É o telefone que não toca, a verdade que ninguém quer dizer, a poesia que não se publica, a saudade que se sente em qualquer idioma, seja lá como se traduza esta palavra. Talvez não existam palavras que possam descrever o vazio, a falta, o buraco na alma.

Se soubesse que certas palavras poderiam salvar, eu já as teria escrito antes. Se soubesse que o silêncio queimaria o peito, já o teria transformado em alguma forma de poesia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Do meu cansaço




Adormeço agora aqui. Adormeço, pois não há nada mais a fazer senão dormir e esperar que as horas passem. E quem sabe ao acordar seja mais feliz, quem sabe ao acordar veja de novo os teus olhos a fitarem o meu rosto. Quem sabe ao acordar eu possa ver-te e então as horas talvez não passem e eu não adormeça mais... quem sabe ao acordar não haja mais o frio que deveras sinto no peito agora... no peito inerte, no corpo morto, na pele que agora é só ausência tua. Adormeço agora.

Imagem da web

sábado, 3 de julho de 2010

Quando o sol põe-se...



Em Fortaleza, Brasil.
créditos do vídeo: @astromalta no Twitter

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu...

Que vago solitária e desperta, hoje sou mais que o tempo que carrego sobre os meus ombros. Eu que sempre fui ágil e ruidosa como um trovão, agora sou suave como o vento. Eu que, noite sim, noite não, sou tempestade, agora calo o meu brado e ouço o som interior...

sábado, 26 de junho de 2010

Allegría



Allegría
Cirque Du Soleil
Composição: René Dupéré


Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia

Allegría
I see a spark of life shining
Allegría
I hear a young minstrel sing
Allegría
Beautiful roaring scream
Of joy and sorrow, so extreme
There is a love in me raging
Allegría
A joyous, magical feeling

Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegria
Come un assalto di gioia

Alegría
Como la luz de la vida
Alegría
Como un payaso que grita
Alegría
Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad

Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad

There is a love in me raging
Alegría
A joyous, magical feeling

terça-feira, 22 de junho de 2010

Das minhas noites de insônia

Em noites de insônia, de maneira um tanto despretensiosa, às vezes acontece de sair uma poesia que diz assim:

Eu gravo o teu olhar ao partir,
Eu me armo e me preparo pra te ofender,
Te ferir, te enlouquecer se você resolve ir.

Daí quando você vai eu me desfaço,
Destruo em mil pedaços o porta-retrato
Da sala de estar.
Eu acabo com tudo, com a casa inteira,
Mas me entrego tão faceira se você diz que quer voltar.

Então se você volta, com amor eu abro a porta,
Eu cozinho com alegria.
Porque sem você eu sou só tristeza,
Sem você eu não dou um passo,
Sem você eu não passo da mais pura melancolia

domingo, 20 de junho de 2010

Nunca amei Saramago

É assim que começo esta postagem, chamando atenção para o seu título: "Nunca amei Saramago".

Apesar de minhas publicações neste blog nem sempre serem autobiográficas e muitas vezes falarem de situações possíveis, porém não reais ou vividas, esta fala exatamente a realidade: Nunca amei Saramago.

Não fiz esta postagem para enaltecer suas virtudes literárias, tampouco citar episódios de sua vida. A verdade mais pura é esta: não li "Ensaio sobre a cegueira", não aprecio seu estilo de prosa, neste momento não presto condolências, tampouco publico isto para depreciá-lo. Apenas nunca amei Saramago.

Se a dúvida bater às suas portas ao verem o blog do falecido escritor citado nas minhas recomendações, esclareço-vos dizendo: Leiam. Leiam para saber o que gostam e o que não gostam, leiam criticamente, não de maneira leviana. Apreciem se quiserem apreciar, mas não depreciem, apenas deixem em paz aqueles que já se foram. Leiam por questão de informação, por questão de reflexão... Leiam tudo o que puderem ler, independente de ser ou não Saramago, leiam para afiar a mente, para afiar a língua, leiam sempre.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Espero-te



Espero-te.
Espero-te para
juntos subirmos uma
árvore qualquer de momentos doces,
Para que juntos descasquemo-los,
Para que juntos possamos saboreá-los.



domingo, 13 de junho de 2010

Meu Baú


Há tantas coisas no meu baú... Meus brinquedos da infância, meus livros e coisas de menina. Há tantas poesias nunca escritas, tantos desenhos e pinturas mal feitas, mas que refletem um estado de espírito torpe e juvenil. Há tantas cores, há céus pintados de azul, branco e ocre, céus de dias nublados e céus cor anil também. São os céus feitos a dedo, nos quais reservo um espaço para fazer voar os versos meus. E as minhas bonecas? Ah, aquelas que minha mãe disse que não daria porque eu sempre quebrava todas... Elas estão lá... quebradas, sim, é verdade. As fotografias das viagens, o gosto do pão português, os bilhetes do metro e os discos do Chico Buarque. Está tudo lá... Os beijos que eu dei e recebi, há também aqueles que prometi e não cumprirei jamais. As crianças que corriam na praça, a rita com o cachorro, aquela que brincou com o meu cabelo enquanto eu lia um livro em espanhol, sentada no banco. Há alguns filmes que pedi emprestado e nunca devolvi, mas faltam no meu baú os meus livros que me pediram emprestado e nunca devolveram... As músicas em francês que eu não entendi, mas aplaudi. A comida dos chineses, os passos de dança e o entrelaçar das pernas... Está tudo lá. Na presença ou na falta de estarem sempre vivas as lembranças, queimando no fundo do baú das minhas memórias... Está tudo lá.

Imagem: Foto concebida para o Mercado Mundo Mix-2009, Castelo de S. Jorge, Baú dos Sonhos de José Almeida e Maria Flores em http://www.fourhandsphoto.com/apps/photos/photo?photoid=51730852

sábado, 12 de junho de 2010

Paz



Não basta-me a paz que é feita da falta de uma tempestade ou tormenta. Há paz maior que vem daquilo que fizemos pelo simples fato de sabermos que era exactamente aquilo que deveria ser feito.

Imagem: Adrift in Dreams de Karl Bang

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ouça


o meu chamado...

imagem: www.imotion.com.br/.../media/71/7995sereia.jpg

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A alma do juá

Hoje a alma veio à casa,
Veio de visita,
Pôs-se a entrar.
Hoje a alma veio à casa com seus passos,
Coisas de arrepiar.

Dizem as crianças que a viram
Toda de vestido no quintal,
Estava sentada sob a árvore
Que era do falecido general.

Não falou com ninguém,
Apenas pôs-se a passar
Deixando um frio na casa
Da velha viúva do Joá.

domingo, 30 de maio de 2010

notícias de além-mar

Ouvi notícias de além-mar. Disseram-me que já não mais esperas-me. Agora padeço. Padeço nas horas gélidas e incontáveis que eu guardava, sempre, todas tão tuas. Não contava eu com tal possibilidade, imaginava ser nosso, e não somente meu, o baú de lembranças que trouxe comigo. Mas, vá lá, não vive-se de lembranças, eu sei bem.

Resta-me agora preencher as horas (antes tuas), recortar as boas memórias do álbum de fotografias e desfazer alguns nós da garganta. Procurarei agora em outros braços o consolo para os meus abraços que ainda buscam o corpo teu. Direi agora para algum outro, qualquer que seja, as palavras que guardei antes a ti e que queimavam no peito, na boca, na língua e se prendiam pelos dentes, lutando para sair.

Farei agora com outro o que tantas vezes falamos em fazer juntos: os passeios, as viagens, os planos de ter filhos e viver na casa de campo. A casa agora resume-se a cinzas, ruínas das minhas doces memórias tuas. Ficas agora com minha última notícia além-mar e os meus votos de felicidades. E caso queiras, quem sabe um dia, responder a esta carta, não envies para este endereço. Eu já não estarei mais aqui.

Sou Ana de cabo a tenente, sou Ana de toda patente,
Ana de Amsterdam

Baseado na obra de Chico Buarque e Ruy Guerra, Ana de Amsterdam.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As minhas cores

Hoje os meus versos mudaram de cor... Ontem disseram que parecia saída de um filme de Almodóvar (mais especificamente o meu vestido e os meus lábios, mas citaram Penélope Cruz, então tranquilizei), já hoje disseram que sou meio Naif.

Fato é que não é a primeira vez que ouço isto... Falo sobre a parte do Naif, que é a parte que me toca. Já Almodóvar, não sei... gosto, mas não vejo-me bem "al borde de un ataque de nervios". Talvez hoje eu estivesse mais para "Ata-me". Sempre tão Naif essa menina...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tempo



Algumas coisas parecem perdidas no tempo... ou serei eu?

Imagem: John William Waterhouse