sábado, 26 de junho de 2010

Allegría



Allegría
Cirque Du Soleil
Composição: René Dupéré


Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia

Allegría
I see a spark of life shining
Allegría
I hear a young minstrel sing
Allegría
Beautiful roaring scream
Of joy and sorrow, so extreme
There is a love in me raging
Allegría
A joyous, magical feeling

Allegría
Come un lampo di vita
Allegría
Come un pazzo gridar
Allegría
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegría
Come un assalto di gioia
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena, seren
Come la rabbia di amar
Allegria
Come un assalto di gioia

Alegría
Como la luz de la vida
Alegría
Como un payaso que grita
Alegría
Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad

Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegría
Como un asalto de felicidad

There is a love in me raging
Alegría
A joyous, magical feeling

terça-feira, 22 de junho de 2010

Das minhas noites de insônia

Em noites de insônia, de maneira um tanto despretensiosa, às vezes acontece de sair uma poesia que diz assim:

Eu gravo o teu olhar ao partir,
Eu me armo e me preparo pra te ofender,
Te ferir, te enlouquecer se você resolve ir.

Daí quando você vai eu me desfaço,
Destruo em mil pedaços o porta-retrato
Da sala de estar.
Eu acabo com tudo, com a casa inteira,
Mas me entrego tão faceira se você diz que quer voltar.

Então se você volta, com amor eu abro a porta,
Eu cozinho com alegria.
Porque sem você eu sou só tristeza,
Sem você eu não dou um passo,
Sem você eu não passo da mais pura melancolia

domingo, 20 de junho de 2010

Nunca amei Saramago

É assim que começo esta postagem, chamando atenção para o seu título: "Nunca amei Saramago".

Apesar de minhas publicações neste blog nem sempre serem autobiográficas e muitas vezes falarem de situações possíveis, porém não reais ou vividas, esta fala exatamente a realidade: Nunca amei Saramago.

Não fiz esta postagem para enaltecer suas virtudes literárias, tampouco citar episódios de sua vida. A verdade mais pura é esta: não li "Ensaio sobre a cegueira", não aprecio seu estilo de prosa, neste momento não presto condolências, tampouco publico isto para depreciá-lo. Apenas nunca amei Saramago.

Se a dúvida bater às suas portas ao verem o blog do falecido escritor citado nas minhas recomendações, esclareço-vos dizendo: Leiam. Leiam para saber o que gostam e o que não gostam, leiam criticamente, não de maneira leviana. Apreciem se quiserem apreciar, mas não depreciem, apenas deixem em paz aqueles que já se foram. Leiam por questão de informação, por questão de reflexão... Leiam tudo o que puderem ler, independente de ser ou não Saramago, leiam para afiar a mente, para afiar a língua, leiam sempre.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Espero-te



Espero-te.
Espero-te para
juntos subirmos uma
árvore qualquer de momentos doces,
Para que juntos descasquemo-los,
Para que juntos possamos saboreá-los.



domingo, 13 de junho de 2010

Meu Baú


Há tantas coisas no meu baú... Meus brinquedos da infância, meus livros e coisas de menina. Há tantas poesias nunca escritas, tantos desenhos e pinturas mal feitas, mas que refletem um estado de espírito torpe e juvenil. Há tantas cores, há céus pintados de azul, branco e ocre, céus de dias nublados e céus cor anil também. São os céus feitos a dedo, nos quais reservo um espaço para fazer voar os versos meus. E as minhas bonecas? Ah, aquelas que minha mãe disse que não daria porque eu sempre quebrava todas... Elas estão lá... quebradas, sim, é verdade. As fotografias das viagens, o gosto do pão português, os bilhetes do metro e os discos do Chico Buarque. Está tudo lá... Os beijos que eu dei e recebi, há também aqueles que prometi e não cumprirei jamais. As crianças que corriam na praça, a rita com o cachorro, aquela que brincou com o meu cabelo enquanto eu lia um livro em espanhol, sentada no banco. Há alguns filmes que pedi emprestado e nunca devolvi, mas faltam no meu baú os meus livros que me pediram emprestado e nunca devolveram... As músicas em francês que eu não entendi, mas aplaudi. A comida dos chineses, os passos de dança e o entrelaçar das pernas... Está tudo lá. Na presença ou na falta de estarem sempre vivas as lembranças, queimando no fundo do baú das minhas memórias... Está tudo lá.

Imagem: Foto concebida para o Mercado Mundo Mix-2009, Castelo de S. Jorge, Baú dos Sonhos de José Almeida e Maria Flores em http://www.fourhandsphoto.com/apps/photos/photo?photoid=51730852

sábado, 12 de junho de 2010

Paz



Não basta-me a paz que é feita da falta de uma tempestade ou tormenta. Há paz maior que vem daquilo que fizemos pelo simples fato de sabermos que era exactamente aquilo que deveria ser feito.

Imagem: Adrift in Dreams de Karl Bang

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ouça


o meu chamado...

imagem: www.imotion.com.br/.../media/71/7995sereia.jpg

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A alma do juá

Hoje a alma veio à casa,
Veio de visita,
Pôs-se a entrar.
Hoje a alma veio à casa com seus passos,
Coisas de arrepiar.

Dizem as crianças que a viram
Toda de vestido no quintal,
Estava sentada sob a árvore
Que era do falecido general.

Não falou com ninguém,
Apenas pôs-se a passar
Deixando um frio na casa
Da velha viúva do Joá.

domingo, 30 de maio de 2010

notícias de além-mar

Ouvi notícias de além-mar. Disseram-me que já não mais esperas-me. Agora padeço. Padeço nas horas gélidas e incontáveis que eu guardava, sempre, todas tão tuas. Não contava eu com tal possibilidade, imaginava ser nosso, e não somente meu, o baú de lembranças que trouxe comigo. Mas, vá lá, não vive-se de lembranças, eu sei bem.

Resta-me agora preencher as horas (antes tuas), recortar as boas memórias do álbum de fotografias e desfazer alguns nós da garganta. Procurarei agora em outros braços o consolo para os meus abraços que ainda buscam o corpo teu. Direi agora para algum outro, qualquer que seja, as palavras que guardei antes a ti e que queimavam no peito, na boca, na língua e se prendiam pelos dentes, lutando para sair.

Farei agora com outro o que tantas vezes falamos em fazer juntos: os passeios, as viagens, os planos de ter filhos e viver na casa de campo. A casa agora resume-se a cinzas, ruínas das minhas doces memórias tuas. Ficas agora com minha última notícia além-mar e os meus votos de felicidades. E caso queiras, quem sabe um dia, responder a esta carta, não envies para este endereço. Eu já não estarei mais aqui.

Sou Ana de cabo a tenente, sou Ana de toda patente,
Ana de Amsterdam

Baseado na obra de Chico Buarque e Ruy Guerra, Ana de Amsterdam.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As minhas cores

Hoje os meus versos mudaram de cor... Ontem disseram que parecia saída de um filme de Almodóvar (mais especificamente o meu vestido e os meus lábios, mas citaram Penélope Cruz, então tranquilizei), já hoje disseram que sou meio Naif.

Fato é que não é a primeira vez que ouço isto... Falo sobre a parte do Naif, que é a parte que me toca. Já Almodóvar, não sei... gosto, mas não vejo-me bem "al borde de un ataque de nervios". Talvez hoje eu estivesse mais para "Ata-me". Sempre tão Naif essa menina...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tempo



Algumas coisas parecem perdidas no tempo... ou serei eu?

Imagem: John William Waterhouse

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Casa de Espelhos


Tiraram a chave de trás da porta.

No quarto só havia espelhos,

   Ap an he i           cada      um  da q ue le s            cacos,

Montei-os de volta no lugar,

Vi minhas dores refletidas por inteiro, em cada espelho...

Tornei a  q ue b rá-l o s  .

sábado, 15 de maio de 2010

Hoje

- Hoje eu senti falta, tanta falta, das tuas pequenas coisas... Hoje senti imensa vontade de sentar-me naquele tapete estranho que tu adoras e ver-te a olhar-me como se eu fosse o último no mundo que pudesse compreender-te. Senti tamanha falta de tantas pequenas coisas... De um som tocando baixinho, do livro que deixaste sobre a minha mesa de trabalho, dos teus escritos que na maioria das vezes não faziam sentido algum após a meia-noite.

- Hoje peguei-me falando sozinho...

(sobre o quê?)...

- Ah, sobre as coisas acontecerem sem podermos fazer nada...

(hum...)

- É, seria ótimo se estivéssemos juntos...

domingo, 9 de maio de 2010

Flores



Passada a tempestade, a alma cobre-se de flores.

Imagem: Beatriz Milhazes.

quarta-feira, 5 de maio de 2010



ilustração: poesiaescafandrista by polyvore

segunda-feira, 26 de abril de 2010

1976

E quando eu ainda nem havia nascido Chico Buarque se perguntava



O que será que me dá?
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita


O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite


O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo



O que será (À flor da pele) - Chico Buarque, 1976.
Para o filme Dona Flor e seus dois maridos de Bruno Barreto


Só porque eu ando tão à flor da pele ultimamente e não queria postar a letra de Vapor barato/flor da pele. Boa noite a todos.

sábado, 24 de abril de 2010

Um bom lugar para morar


Um bom lugar para um pássaro fazer sua morada deve ser tranquilo, cheio de suas pequenas coisas, saídas de algum baú ou gaveta lírica. Uma boa morada para um passarinho deve ser pequena, fresca e que faça friozinho a noite para os passarinhos se aquecerem. Alguns bons livros, uma música lenta para dois e um cheiro de café às três da tarde. É um bom lugar para um passarinho fazer morada.

Ilustração: poesiaescafandrista by polyvore

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jorge Guerreiro




Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge.

23 de abril, Dia de São Jorge.

Ilustração: Rafaelle Costa.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Te echo de menos

Si hoy me vez así como estoy
Es porque yo así me hizo
En tantos y tantos dias.

Si cuando llegas
Me encontres asi un poco lejos de ti
No creas que te olvido...

Si quieres hacer conmigo
Todo lo que un dia pensabas hacer
Con la mujer de tu vida
Y no sepas si soy yo misma
No dejes de hacerlo por la mala duda.

Es que cuando estoy aqui
Pocas veces estoy en mi
Pero si por un rato
Tu sueñas que no soy tuya
Te pido que te vás
Pero que volvas temprano.

quarta-feira, 21 de abril de 2010