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| Katerina Bodrunova |
sexta-feira, 29 de março de 2013
Até o fim
Ando com o juízo embaralhado, ando com o coração acelerado, mente inquieta. Ando com o horário trocado, ando falando um bocado, ando incerta. Tenho estado inundada de tudo... de mim, de ti. Tenho estado repleta desta falta, num vazio que preenche fotos, horas, lugares, um dia inteiro. Ando pensando se continuo, se paro ou se danço a música até o fim.
Olha aí, meu bem
Olha aí, meu bem. Que dia bom para ser feliz!
Vamos relembrar algumas coisas. A receita é infalível: acordar e ver que já amanheceu, olha a pessoa dormindo ao lado e sente paz. E sente dúvida (se abraça ou não, com medo de acordar a pessoa). Sentir fome? Pode ser. Preguiça? Também. Se conseguir superar tudo isso, levanta e se olha no espelho. Mexe no cabelo, respira fundo e agradece. Este dia é mais uma dádiva, uma "dádiva da vida". Gosto dessas palavras juntas, parecem um trocadilho bem intencionado.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
AMAVISSE
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| Instituto Hilda Hilst |
Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.
(II)
* * *
Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.
(Via Vazia - VIII)
(Amavisse - Hilda Hilst, São Paulo: Massao Ohno Editor, 1989.)
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Brincar de poesia
Fazer verso
Fazer poesia
De brincadeira se cria
Uma frase, um refrão
Fazer trocadilhos
Sair dos trilhos
Caminhar caminhos
Que antes não
Brinco com as palavras
E isso me agrada
Fazer poesia
Faz da poesia
Menos sagrada.
Na poesia
Tudo se pode fazer
E o que a vida não te permite
A poesia te permite viver.
Fazer poesia
De brincadeira se cria
Uma frase, um refrão
Fazer trocadilhos
Sair dos trilhos
Caminhar caminhos
Que antes não
Brinco com as palavras
E isso me agrada
Fazer poesia
Faz da poesia
Menos sagrada.
Na poesia
Tudo se pode fazer
E o que a vida não te permite
A poesia te permite viver.
Meu amanhã
"Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manhã, meu amanhã
Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, minha avelã
Amor em Roma, aroma de Romã
O sal e o São
O que é certo, o que é Sertão
Meu Tao, e meu tão
A Nau de Nassau, minha nação. "
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manhã, meu amanhã
Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, minha avelã
Amor em Roma, aroma de Romã
O sal e o São
O que é certo, o que é Sertão
Meu Tao, e meu tão
A Nau de Nassau, minha nação. "
Lenine
A poesia de Lenine, brincando com as palavras... sal, são, certo, sertão. às vezes brinco com as palavras nas poesias e isso me agrada, faz a poesia menos... sagrada.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Adélia Prado
"Toda obra... ela... o objetivo dela é atingir o momento poético, seja escultura, teatro, cinema, música. Ela só acontece a hora que ela vibra poeticamente."
"Qualquer autor é instrumento de algo que o suplanta, que é maior que ele."
"A natureza do religioso e da experiência poética é absolutamente igual."
"A vingança da poesia é essa, é ela ser maior que a gente"
"A natureza do religioso e da experiência poética é absolutamente igual."
"A vingança da poesia é essa, é ela ser maior que a gente"
Estas e outras belezas foram ditas por Adélia Prado, mesclando poesia e fé em seu discurso poético-religioso. Vale muito a pena conferir o vídeo da Saraiva.
Boa noite!
domingo, 20 de janeiro de 2013
Poema pra dizer adeus
Quisera descansar meus olhos,
Descansar o peito e a boca
Da vertigem que causam as ondas
Enquanto o mar é só ânsia.
De volta ao cais eu reconheço o teu rosto
Como o cão que reconhece o dono
E logo arqueio meu corpo em tua direção
E não te beijo.
Faço então o retorno ingrato
Daquilo tudo que poderia ter sido
E perdeu-se nas margens dos rios
Das minhas poesias profundas e tolas.
Eu despeço-me de ti sem largar as malas,
Dando as boas vindas à nova vida
Que chega revestida de amor e vaidade pouca
Com os olhos brilhando e pérolas nos cabelos.
5 de agosto de 2011, Fortaleza, Ceará, Brasil.
Descansar o peito e a boca
Da vertigem que causam as ondas
Enquanto o mar é só ânsia.
De volta ao cais eu reconheço o teu rosto
Como o cão que reconhece o dono
E logo arqueio meu corpo em tua direção
E não te beijo.
Faço então o retorno ingrato
Daquilo tudo que poderia ter sido
E perdeu-se nas margens dos rios
Das minhas poesias profundas e tolas.
Eu despeço-me de ti sem largar as malas,
Dando as boas vindas à nova vida
Que chega revestida de amor e vaidade pouca
Com os olhos brilhando e pérolas nos cabelos.
5 de agosto de 2011, Fortaleza, Ceará, Brasil.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
Versos sem nome
Encontra-me emudecida a poesia.
Bate à porta e entra, dona de tudo,
Aflita, a querer interrogar-me à revelia.
Encontra-me indefesa e muda,
Depois de tantas idas e vindas,
Some.
Deixa-me os versos na boca.
O gosto daquilo que não deve ser dito,
Aquilo que a si mesma anuncia
Não tem nome.
Ao ver-me pálida, arredia,
Assustada perde-se a poesia,
Abandona-me.
Bate à porta e entra, dona de tudo,
Aflita, a querer interrogar-me à revelia.
Encontra-me indefesa e muda,
Depois de tantas idas e vindas,
Some.
Deixa-me os versos na boca.
O gosto daquilo que não deve ser dito,
Aquilo que a si mesma anuncia
Não tem nome.
Ao ver-me pálida, arredia,
Assustada perde-se a poesia,
Abandona-me.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
É preciso poesia
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| Imagem da web |
Para esquecer um pouco de tudo,
Para descobrir um novo mundo,
Reaprender a sonhar.
É preciso verso na vida,
Ver a poesia escondida
Num eclipse lunar.
É preciso um grão de fé
Compreender, crer e confiar.
É preciso dar-se conta do que se é,
Levantar, lutar e cantar.
Cantar aos céus
A alegria de viver,
Cantar a beleza que se quer.
É preciso poesia na vida
Senão a vida não dá pé.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Às margens de mim
Poesia a F. T. G.
Sobra uma parte de mim em qualquer canto
em que me esqueço, no abraço em que me perco,
Sobra um pedaço meu que desconheço, um pedaço mais teu que meu.
Há um pedaço que você levou
Quando partiu de mim,
Um pedaço que eu queria resgatar
Uma parte de mim
Está contigo em qualquer lugar.
Ah, se eu pudesse te reconhecer dentre outros tantos mil
E te prender, e te reter
E reaver
Um pedaço mais que meu,
Um pedaço teu
Do meu coração que se foi daqui.
Vivo em busca do eu
que ficou às margens de mim.
domingo, 30 de setembro de 2012
Deixa eu cantar meu samba
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| Imagem da Web |
Deixa eu chorar meu samba,
Que meu samba cura a dor.
Hoje eu vou sair por aí,
Se alguém me vir,
Pode esquecer
Não fale que me viu por aí,
Se me vir,
Passar bem.
Hoje eu vou chorar minha dor,
Deixa que meu samba cura,
Nessa vida, que anda tão dura,
Tudo tem seu tempo e valor.
Deixa eu chorar,
Deixa eu sair por aí,
Que meu samba toma conta de mim.
E quem sabe cantando meu samba
Eu espanto esse mal,
Quem sabe meu samba triste
Se transforma em carnaval.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Acalanto
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| Open Art |
Ah se eu pudesse agora te acalantar,
Colocar-te em meu peito.
Sentirias todo meu amor
Ao meu jeito,
À minha forma de te acalmar.
Ah se eu pudesse agora te colocar entre meu braços
E te sugerir baixinho ao ouvido para me abraçar
Para que eu possa então te aquecer
Sentirias todo o meu calor
Ao meu jeito,
À minha forma de amar,
Para não mais me esquecer.
domingo, 9 de setembro de 2012
Amor de terra, amor de mar
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| Artesanato com areias coloridas - Ceará |
Era amor pra muitas vidas,
Viviam de brisa e de mar,
Cresceram entre as areias coloridas
Das praias do Ceará.
Nasciam de suas mãos
Riquezas e paisagens,
Tiravam dali o sustento,
Viviam de suas artes.
Guardaram dinheiro sob o colchão,
Assim construíram pequenas casas
E com as cores retiradas do chão
Construíram também as próprias asas.
domingo, 2 de setembro de 2012
A alegria faz-se presente
Em cada parte da casa.
Poesia surge em cada ambiente,
Como perfume que d´alma exala.
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| Alegria de vivir |
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Devir
Calar.
E em meio à toda estranheza do mundo,
Sentir.
E na noite de lua cheia ou minguante,
Admirar.
E na solidão do tempo,
Fluir.
E no passar das horas,
Passar.
E no vão das palavras soltas,
Consentir.
E nas fantasias humanas,
Adentrar.
E nas divagações dos versos meus,
Vir a ser eu,
Eterno devir.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Equilibrando emoções
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| Imagem da web |
Nem sempre se ganha.
Então a gente segue na vida
Um pé na frente do outro,
A gente lambe a ferida
E finge que tudo passou.
E finge que não doeu tanto assim.
A gente aguenta o "não"
Até achar o "sim".
E vive equilibrando emoções
Na corda bamba das paixões
Que insistem em atormentar.
A gente joga de novo
Coração palhaço de circo
No meio do picadeiro
Para ser vaiado ou aplaudido
Inteiro ou partido
E cada um segue a vida,
Ganhando ou perdendo,
Sabendo que cada um
É quem sabe de si,
A gente aguenta o "não"
Até achar o "sim".
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