quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Imagem em site

Quando eu nasço, sou preto

Quando eu cresço, sou preto

Quando eu fico no sol, sou preto

Quando eu tenho medo, sou preto

Quando eu estou doente, sou preto

E quando eu morro, continuo sendo preto

E você, cara branco,

Quando você nasce, você é rosa

Quando você cresce, você é branco

Quando você fica no sol, você é vermelho

Quando você fica no frio, você é azul

Quando você tem medo, você é amarelo

Quando você fica doente, você é verde

Quando você morre, você é cinza

E você ainda vem me chamar "de cor"???

 
Poema eleito pela ONU como o melhor poema de 2006, escrito por uma criança africana. Achado em artevoadeira.blogspot.com e me comoveu.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Memórias e Tempos


Ilustração: poesiaescafandrista by polyvore



Eu fiz o tempo passar,
Eu andei por onde tantas outras civilizações andaram.
Eu caminhei e procurei ali o meu lugar.
Por entre ruas tortas,
Pessoas meio mortas,
O cheiro do absinto no ar.
Eu fiz o tempo passar, passar como o vento.
Eu fiquei marcada ali,
De tantas coisas vistas,
Nada sacia o meu desejo
Do meu prazer estético.
Eu caminhei ali,
Deixei no chão a marca dos meus passos
E eu volto,
Porque ali mesmo prometi voltar.
Eu fiz então o tempo, tanto tempo passar,
Passar como o vento, eu fiz o tempo passar.
Eu vi a mulher de saia comprida,
Eu vi a feira amanhecer.
Eu passei ali e tudo ficou em mim,
A igreja antiga,
A música e tudo o mais.
E eu deixei marcas lá.
Eu fiz o tempo, eu fiz o vento, eu fiz o mundo girar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A nossa infância


Imagem da web



É o tempo, é o tempo,
É da idade, é coisa de criança,
É doce, é doce.
São coisas da infância.

E esse jeito de ser
De quem não tem preocupação
É o tempo,
É da idade,
Nada faz mal, não.

Pode comer chocolate,
Pode correr na calçada,
Pode brincar à vontade,
Nada faz mal, não.

E pode falzer o que quer,
falar o que quer,
Tudo tem perdão.

É tudo coisa da idade,
É de bila, é de bola,
É brincadeira,
Nada faz mal, não.

Manhã

Imagem da web



Permanece sobre a pele agora o frio de uma manhã que esconde-se como se não fosse ainda primavera. Fica sob o peito, a aquecer-me, um desejo de mudança... Que seja em breve.

domingo, 3 de outubro de 2010

Interlúdio

Imagem da web


As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.


De Cecília Meireles
(estou louca pra comprar uns livros dela!)

sábado, 2 de outubro de 2010

Despedidas

"...porque quando você me vê passar você sente que sou sempre assim, tão fluido e você acha que me compreende, mas tudo o que apreende de mim se esvai com tamanha facilidade e tudo o que interpreta de mim é o meu caminhar vacilante, as minhas palavras soltas, sem sentido, sem açúcar, sem afeto, sem um pingo de razão, mas que você desejava que fossem todas suas..."

Despedidas, poesiaescafandrista.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dos caminhos

Ah! Os caminhos estão todos em mim.
Qualquer distância ou direcção, ou fim
Pertence-me, sou eu. O resto é à parte.
[...]

Fernando Pessoa


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dos livros


Imagem da web

Ela é tão somente um reflexo de tudo isso que lê e seu mundo gira em torno de cada poesia, de cada canção daqueles compositores antigos da nossa música... e assim vai vivendo, dentro dos seus sonhos, dos seus livros, das suas possibilidades. Ela acha que cada vida tem o seu lirismo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desiderata

DESIDERATA - Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração.

"Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível, sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia
com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles
também têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas,
elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais,
olhando as pessoas como superiores
ou inferiores a você,
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais
e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na
continua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer,
porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição
e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações,
na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade".


Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692.

domingo, 26 de setembro de 2010

Realidade



A realidade não é o que é, ela é o que somos. A vida ganha o significado que damos a ela, afinal de contas, quem mais poderia dar significados senão as pessoas? Dizem que se os cavalos tivessem um deus, seria um deus-cavalo, e os leões encontram em outros leões os seus líderes. Assim tudo é feito à nossa própria imagem e semelhança. Como poderia ser diferente? Então empreendemos a nossa procura pela Verdade, pela felicidade,  a procura por aquilo que nos falta.

Budapeste II

"A verdadeira poesia desaba por dentro... como o amor".

Kriska, Budapeste de Chico Buarque.

Ninguém acertou, gente! ain, ain...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Budapeste

"A verdadeira poesia desaba por dentro..."


Um prêmio para quem completar a frase corretamente!

Budapeste, Chico Buarque.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Verso nobre

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Eu confesso que não vi todos os teus detalhes
E desviei dos teus olhares, eu confesso que não quis.
Agora passas sem notar-me e eu parado aqui,
Procurando um verso nobre num poema pobre
Para dedicar a ti.

sábado, 18 de setembro de 2010

Amados e Amantes

"Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao ver que sem você
Eu passo bem demais...

Dizem que o medo das mulheres é que seus homens amem outras mulheres, mas o medo dos homens é que suas mulheres sejam amadas por outros homens. Amadas no sentido mais carnal da palavra, amadas-satisfeitas. É por isso que as mulheres dizem "meu marido tem uma amante". Na verdade, elas não conseguem imaginar a possibilidade de seus amados amarem outras mulheres, preferem a idéia de que outras amam seus amados, por isso o que os homens têm, para as mulheres, não são outras amadas, são amantes. E como as palavras traem-nos em tantos momentos e revelam-nos nos nossos maiores medos e angústias e tormentos! Se para as mulheres, seus homens tem amantes, para os homens suas mulheres têm o quê?


... E que venho até remoçando
Me pego cantando,
Sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você ".
 
Olhos nos olhos, Chico Buarque

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema de agradecimento

Versos dedicados a Roberto Favretto.

Ah se eu pudesse recriar-te
E fazer-te em cada mínima parte,
Se eu pudesse dar-te outros nomes
Então serias obra minha, somente minha,
Do meu desejo e do meu afeto
E ficarias sempre aqui, comigo a sós,
Sempre tu em mim a habitar-me,
Sempre, somente nós.

Drummond

"Neste botânico setembro,
que pelo menos você plante
com eufórica emoção ecológica
num pote de plástico
uma flor de retórica."

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

In Verso


Imagem: Pablo Picasso


Se pudesses ver-me em cada verso
E decifrar-me em cada linha
Como se decifrasses um enigma
Que estivesse a devorar-te,
Se pudesses ler-me como
Quem lê uma doce poesia
Com que alegria irias desvelar-me?
E se pudesses descrever-me em um traço,
Como obra de algum artista,
Que quadro eu seria,
Um Matisse ou um Picasso?



Nota: Henri Matisse, pintor francês do Fauvismo; Pablo Picasso, pintor espanhol do Cubismo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Palíndromo

Imagem linoart

Quando pediram ao Chico (Buarque, óbvio, de que outro Chico eu falaria?) para fazer algo pro jornal Pasquim paulista ele disse: "Minha agenda estourou. Tô enlouquecido, ensaiando o show com Bethânia para o dia 02 em Paris. Fazer matéria nem pensar, mas se vocês quiserem um palíndromo... Levei 5 horas fazendo".



"Até reagan sibarita tira bisnaga ereta"

Chico Buarque

Pasquim São Paulo Ano XVIII - 10 de julho de 1986

Obs.: Palíndromo é a frase que pode ser lida da direita pra esquerda e faz o mesmo sentido.

fonte: chicobuarque.com

domingo, 12 de setembro de 2010

Farol

Enquanto sigo teus passos na areia
Minh´alma é como a luz
Que nos teus olhos vagueia
Como as ondas do mar
Meu caminho agora são
Águas que o teu farol clareia
No passar das horas
Que o meu coração encendeia
Porque longe de ti meu olhar só mareia, mareia...

sábado, 11 de setembro de 2010

Dubito, ergo sum



Mais uma tarde estranha neste apartamento
Em que as coisas me falam que ainda haverá um momento
Em que todas as coisas dirão que já é hora de partir
E ai de mim que espero sozinho e aflito
E leio as marcas deixadas em mim
E os sinais que eu mesmo deixei gravados em todos os lugares
Para que algum escafandrista possa lê-los
Quando eu já não mais estiver aqui...