Aos 16 anos você acha que "eu te amo" é uma expressão sagrada, que só pode ser dita verdadeiramente, com todo o sentimento, para aquela que será a pessoa da sua vida. Logo depois de algumas decepções você descobre que as pessoas dizem "eu te amo" de forma displicente e leviana. Depois de um tempo você descobre que "eu te amo" é bom de se ouvir, mas que se beleza não se põe à mesa, também não se serve "eu te amo" no café da manhã. E você precisa de mais do que isso. Uma hora você descobre que "eu te amo" não é "abracadabra", não conserta corações partidos, não traz de volta o tempo perdido, "eu te amo" não recebe o que não deu. "Eu te amo" algumas vezes é mais interrogação que afirmação, é mais desejo que ação, é mais dúvida do que qualquer "talvez, não sei". De repente, você pode pensar que aquela pessoa que seria a pessoa com quem você deveria estar para sempre pode estar por ai, em qualquer lugar, lendo uma revista, comprando o pão ou pode estar trocando alianças, tendo filhos e comemorando aniversário de casamento com alguém que não é você. Ou não. Bom, passa de tudo pela cabeça, mas esta não é a melhor coisa a se pensar. A verdade é que a pessoa certa também pode ser esta ao seu lado agora, essa que levanta cedo pra fazer o café, que almoça pensando em você e se preocupa com o que você comeu quando você diz que está com dor de cabeça. Pode ser que o amor verdadeiro seja esse alguém que passa o dia ocupado, mas que volta pra você ao fim do dia para vocês jantarem juntos e verem tevê. E de repente você descobre que "eu te amo" é mais simples do que qualquer teorema, às vezes você nem precisa se preocupar com isso. Às vezes "eu te amo" é algo tão simples que você nem precisa dizer. Pelo menos não com estas palavras.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O corpo e o movimento em “O escafandro e a borboleta”
“O Escafandro e a borboleta” é um livro de Jean-Dominique Bauby, nascido em 1952, redator da revista Elle na França. Bauby foi vítima da síndrome locked-in, síndrome do encarceramento, que o deixou paralisado quase que por completo e comunicando-se através do olho esquerdo, a única parte do corpo não afetada pela paralisia.
Através de uma forma de comunicação bastante precária, lenta e cansativa, Bauby escreve o livro em que relata sua experiência de ter entrado em coma, de perder a autonomia de seus movimentos, de passar de uma vida cheia de afazeres no qual ele ocupava uma posição profissional relevante a uma posição que ele compara a de um “bernardo-eremita sobre o seu rochedo”.
Através da possibilidade de comunicar-se, usando apenas o olho esquerdo, Bauby vislumbra a possibilidade de uma vida vivida em sonhos, em pensamentos. A comparação entre o corpo e a mente é feita através do escafandro, como algo pesado, que impossibilita o movimento, no qual o escafandrista vê-se aprisionado, e o pensamento como a borboleta, que vagabundeia livremente, leve, numa existência frágil.
(...) O corpo ganha nova configuração, novo sentido. Há um sentido médico do corpo como a expressão da doença, da paralisia. O corpo, neste caso, muitas vezes é visto como impossibilidade de realização. E há outro sentido também para o corpo, como o corpo que ainda mantém a vida, o corpo que permite a observação do mundo agora com maiores detalhes, um corpo que em sua impossibilidade de movimentar-se, permite uma re-significação da percepção da realidade.
O livro de Jean-Dominique Bauby tornou-se um sucesso traduzido em mais de trinta países e virou filme, chamando a atenção de jornalistas no mundo todo em 1997, quando faleceu seu autor".
O texto acima é uma das atividades acadêmicas da discplina de Psicomotricidade do curso de Psicologia na Universidade de Fortaleza, vetada a reprodução.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Despedidas
Imagem da web
Quando das minhas horas resolvo fazer algo que possa resumir-se a linhas e vejo que tudo o que vem de mim, nestas mesmas horas, é ligeiramente louco e as minhas palavras ecoam pelos labritintos dos teus ouvidos e eu escrevo sem saber se isto terá um dia algum sentido para você porque sei que sou capaz de não fazer nenhum e ao mesmo tempo sou capaz de despertar em você o que há de pior e o que há de melhor, porque quando você me vê passar você sente que sou sempre assim, tão fluido e você acha que me compreende, mas tudo o que apreende de mim se esvai com tamanha facilidade e tudo o que interpreta de mim é o meu caminhar vacilante, as minhas palavras soltas, sem sentido, sem açúcar, sem afeto, sem um pingo de razão, mas que você desejava que fossem todas suas, que falassem de você, que te descrevessem e te revelassem nos teus piores defeitos e nas tuas manias e eu não teria coragem de fazer isso porque te magoaria e você esperaria de mim muito mais do que eu poderia te oferecer, então você continuaria ai com os teus sonhos, os teus planos bobos que me incluem, tecendo os fios das redes que te sustentam e você não teria agora a certeza se isso um dia terá fim e eu te provo por a mais b que tudo que tem início também acaba e pode acabar de qualquer jeito, sem deixar cartas de despedidas, sem desculpas e sem mais demoras eu te digo que as coisas devem ter um ponto final agora, aqui, com uma única palavra que possa resumir tudo isso: Adeus.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Das minhas dúvidas
De todas as minhas cores,
Quantas são feitas do azul do céu,
Do branco das nuvens,
Quantas são feitas de sonho?
De todas as curvas do meu corpo,
De todos os traços do meu rosto,
Quantos são em forma de S,
Em forma de L, em forma de V?
De todas as minhas poesias,
De todos os meus pensamentos,
Quantos poderiam ser canção?
De todas as minhas horas, de todos os meus dias,
Quantos são realmente meus?
E as minhas luas,
E os meus sóis,
Como poderiam ser todos eu?
Quantas são feitas do azul do céu,
Do branco das nuvens,
Quantas são feitas de sonho?
De todas as curvas do meu corpo,
De todos os traços do meu rosto,
Quantos são em forma de S,
Em forma de L, em forma de V?
De todas as minhas poesias,
De todos os meus pensamentos,
Quantos poderiam ser canção?
De todas as minhas horas, de todos os meus dias,
Quantos são realmente meus?
E as minhas luas,
E os meus sóis,
Como poderiam ser todos eu?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Ágape
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria."
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Das minhas sensações
Não sei o que se passa comigo. Há em mim um sei-lá-o-quê, algo que faz-me escrever poesias e acorda-me às cinco da manhã. Há em mim qualquer coisa que insiste em reaparecer, algo que não sei, nem quero e talvez nem possa nomear.
domingo, 29 de agosto de 2010
Tanto
Quero-te um tanto assim
Mas se ficas longe de mim
Ouso querer-te um tanto mais.
Quero-te um tanto
Que já não sei o quanto,
Mas se deixas-me solta
Faz-me louca,
Faz-me querer-te um tanto mais.
Quero-te um tanto assim,
Quero-te perto,
Junto a mim,
Quero-te sempre um tanto mais.
Mas se ficas longe de mim
Ouso querer-te um tanto mais.
Quero-te um tanto
Que já não sei o quanto,
Mas se deixas-me solta
Faz-me louca,
Faz-me querer-te um tanto mais.
Quero-te um tanto assim,
Quero-te perto,
Junto a mim,
Quero-te sempre um tanto mais.
sábado, 28 de agosto de 2010
O sonho é um desejo d´alma
"O sonho é um desejo d'alma
N'alma adormecer
Em sonhos a vida é calma
É só desejar para ter
Tem fé no teu sonho e um dia
Teu lindo dia há de chegar
Que importa o mal que te atormenta
Se o sonho te contenta
E pode se realizar".
Atentem para a composição: Cinderela, Disney.
N'alma adormecer
Em sonhos a vida é calma
É só desejar para ter
Tem fé no teu sonho e um dia
Teu lindo dia há de chegar
Que importa o mal que te atormenta
Se o sonho te contenta
E pode se realizar".
Atentem para a composição: Cinderela, Disney.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Coleção
Postagem para falar sobre o mais novo lançamento da Abril, a mais completa coleção sobre a obra do Chico. Acho que toda a coleção custa mais de duzentos, mas pode ser comprada nas bancas também, um exemplar vai sair todo mês. No site http://www.colecaochico.com.br/ vocês encontram maiores informações e podem participar do concurso que vai dar uma coleção para um fã. Recado dado, missão cumprida. Abraços.segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O essencial
imagem da web
"Só se vê bem com o coração,
o essencial é invisível aos olhos".
(A raposa)
O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupèry
sábado, 21 de agosto de 2010
Dos meus manuscritos
Escrevi a ti estas palavras tomando todo o cuidado de não revelar-te a ti mesmo quando leres, para que não te tornes ainda mais convencido do que já és. Tomei cuidado também de escrever em prosa ou fazer poesia sem rima para que não pareça demasiado romantismo meu. Escrevi apenas para falar do meu desejo de ainda ter-te, para que saibas que "esquecer-te" é verbo inexistente sem nenhum equivalente no meu vocabulário. E porque és assim tão meu e tão distante e porque deixaste-me antes de ter-me, por isso conto ainda as horas para encontrar-te.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Da minha essência
Imagem: pixdaus.com
De terra e de nuvem,
De doçura e tempestade
E meu coração é como uma caixa de pandora,
Porque habita em mim um desejo de ser que me devora
E há no peito um abismo,
Porque meus braços e pernas dançam ininterruptamente,
Porque enfeito os cabelos com estrelas do mar
E porque tudo isso me é possível
E me foi dado desde a primeira respiração,
Por isso, só por isso, afirmo que sou feita de verso,
Porque tudo o que começa em mim acaba em poesia
E esta é a minha única forma de existir.
domingo, 15 de agosto de 2010
Asa Morena
Imagem da web
Composição: Zé Caradípia
Me faz pequena
Asa Morena
Me alivia a dor
Aliviando a dor que mata
Me faz ser teu amor...
Me toma no crescer
De um beijo muito louco
Me implodindo aos poucos
No universo a desvendar
A vastidão do teu amor...
Me toma sem pensar
Num gesto muito forte
Unindo o sul e o norte
Do meu corpo
Frágil corpo
Com a mais pura emoção...
Me faz pequena
Asa Morena
Me alivia a dor
Aliviando a dor que mata
Me faz ser teu amor...
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Das minhas necessidades
Imagem tumblr
Uma poesia, por favor.
Uma poesia que alegre,
Uma poesia que embeleze a casa,
Algo que eu possa pendurar na parede do quarto,
Algo que me receba quando eu chegar à noite, cansado.
Uma poesia, por favor.
Algo que tenha gosto doce,
Algo que me lembre um romance,
Algo que encha os olhos e o peito também.
Uma poesia, por favor, algo que me faça acordar,
Uma poesia em forma de música, em tons de azul profundo,
Uma poesia, duas, três...
De tudo o que fica em algum lugar...
Eu sei lá
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
Mas só eu sei do meu apreço,
Do que recebo e ofereço,
Das incontáveis horas que ficaram lá.
Fica lá tudo o que eu guardei, o que eu recebi,
O que eu tomei por empréstimo.
Fica lá
Toda cor que o olhar é capaz de reter
Toda dor que o corpo é capaz de ter
Fica tudo lá.
Fica lá,
Como um segredo guardado,
Como palavra não dita,
Como luz em meio à escuridão.
Fica lá,
Como animal aflito,
Como silêncio e grito,
Como a força em vez da razão.
E eu sei lá
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
Mas só eu sei do meu apreço,
Do que recebo e ofereço,
Das incontáveis horas que ficaram lá.
Fica lá tudo o que eu guardei, o que eu recebi,
O que eu tomei por empréstimo.
Fica lá
Toda cor que o olhar é capaz de reter
Toda dor que o corpo é capaz de ter
Fica tudo lá.
Fica lá,
Como um segredo guardado,
Como palavra não dita,
Como luz em meio à escuridão.
Fica lá,
Como animal aflito,
Como silêncio e grito,
Como a força em vez da razão.
E eu sei lá
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sintonia
Sintonia que envolve e sente,
coisas da gente,
que sabemos fazer.
Mesmo ausentes,
mesmo assim,
mesmo presentes,
fazemos isso tão bem
que o tempo passa de repente.
Um simples talvez,
uma outra chance
E o que estiver ao nosso alcance
ou a nossa frente
ou a nossa frente
vai virar poesia
Sempre.
parceria com Milton Baseggio Lehmkuhl
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Verso
Esta é mais uma das poesias que surgem depois de uma noite de insônia. É mais uma poesia sem nome, aceito sugestões:
Estrela no céu,
Estrela do mar, talismã.
Estrela maior de qualquer constelação,
Oceano de luz.
Vida minha perdida no mar,
Vai e volta sem avisar
Para retomar o que deixamos para trás.
Vai e volta sem eu querer,
Pra desfazer a minha lógica,
Luz que renova o ser,
Poesia e mágica.
Estrela no céu,
Estrela do mar, talismã.
Estrela maior de qualquer constelação,
Oceano de luz.
Vida minha perdida no mar,
Vai e volta sem avisar
Para retomar o que deixamos para trás.
Vai e volta sem eu querer,
Pra desfazer a minha lógica,
Luz que renova o ser,
Poesia e mágica.
domingo, 8 de agosto de 2010
Das incontáveis coisas
Imagem: Mademoiselle Jolie´s
Das incontáveis coisas que esquecemos pelo caminho, quantas dizem algo sobre nós? E quantas ainda guardam o nosso cheiro, as células do nosso corpo, a energia das nossas mãos? E por onde andam, o que fazem sem nós? São algo nas mãos de outro alguém?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Horóscopo
A previsão dizia que hoje seria um bom dia,
Um bom dia para quê?
Eram tantas formas de adivinhação,
Cartas, quiromancia
Me dizendo coisas de uma idéia que eu não fazia
E o sol muda de casa todo dia
Casas do meu signo astral.
"E o mesmo signo que eu tento ler e ser é apenas um possível ou impossível em mim, em mim, em mil, em mil, em mil..." (Caetano Veloso)
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Como ler um samba?
Ganhei este livro no final do ano passado e só agora tenho lido, encontrado os meus sambas preferidos. Faltam algumas músicas, como Sentimental, mas está quase tudo aí. Ainda há a história de cada canção e o contexto histórico e político do Brasil na época em que cada canção foi escrita. As imagens são antigas e há até mesmo a cópia do bilhete de Zuzu Angel para Chico Buarque, que ele e os amigos copiaram e distribuíram antes de sua morte. Fica a dica.
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