Eu sei lá
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
Mas só eu sei do meu apreço,
Do que recebo e ofereço,
Das incontáveis horas que ficaram lá.
Fica lá tudo o que eu guardei, o que eu recebi,
O que eu tomei por empréstimo.
Fica lá
Toda cor que o olhar é capaz de reter
Toda dor que o corpo é capaz de ter
Fica tudo lá.
Fica lá,
Como um segredo guardado,
Como palavra não dita,
Como luz em meio à escuridão.
Fica lá,
Como animal aflito,
Como silêncio e grito,
Como a força em vez da razão.
E eu sei lá
Quantos segredos guarda o mar
Quantas almas há de reclamar
Até que você reapareça,
Até que você resolva quem mereça te amar.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sintonia
Sintonia que envolve e sente,
coisas da gente,
que sabemos fazer.
Mesmo ausentes,
mesmo assim,
mesmo presentes,
fazemos isso tão bem
que o tempo passa de repente.
Um simples talvez,
uma outra chance
E o que estiver ao nosso alcance
ou a nossa frente
ou a nossa frente
vai virar poesia
Sempre.
parceria com Milton Baseggio Lehmkuhl
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Verso
Esta é mais uma das poesias que surgem depois de uma noite de insônia. É mais uma poesia sem nome, aceito sugestões:
Estrela no céu,
Estrela do mar, talismã.
Estrela maior de qualquer constelação,
Oceano de luz.
Vida minha perdida no mar,
Vai e volta sem avisar
Para retomar o que deixamos para trás.
Vai e volta sem eu querer,
Pra desfazer a minha lógica,
Luz que renova o ser,
Poesia e mágica.
Estrela no céu,
Estrela do mar, talismã.
Estrela maior de qualquer constelação,
Oceano de luz.
Vida minha perdida no mar,
Vai e volta sem avisar
Para retomar o que deixamos para trás.
Vai e volta sem eu querer,
Pra desfazer a minha lógica,
Luz que renova o ser,
Poesia e mágica.
domingo, 8 de agosto de 2010
Das incontáveis coisas
Imagem: Mademoiselle Jolie´s
Das incontáveis coisas que esquecemos pelo caminho, quantas dizem algo sobre nós? E quantas ainda guardam o nosso cheiro, as células do nosso corpo, a energia das nossas mãos? E por onde andam, o que fazem sem nós? São algo nas mãos de outro alguém?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Horóscopo
A previsão dizia que hoje seria um bom dia,
Um bom dia para quê?
Eram tantas formas de adivinhação,
Cartas, quiromancia
Me dizendo coisas de uma idéia que eu não fazia
E o sol muda de casa todo dia
Casas do meu signo astral.
"E o mesmo signo que eu tento ler e ser é apenas um possível ou impossível em mim, em mim, em mil, em mil, em mil..." (Caetano Veloso)
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Como ler um samba?
Ganhei este livro no final do ano passado e só agora tenho lido, encontrado os meus sambas preferidos. Faltam algumas músicas, como Sentimental, mas está quase tudo aí. Ainda há a história de cada canção e o contexto histórico e político do Brasil na época em que cada canção foi escrita. As imagens são antigas e há até mesmo a cópia do bilhete de Zuzu Angel para Chico Buarque, que ele e os amigos copiaram e distribuíram antes de sua morte. Fica a dica.
sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Mergulho
No exato momento
No exato instante
Em que nós mergulhamos
É preciso entender
Que não estamos somente matando
Nossa fome na paixão
Pois o suor que escorre não seca, não morre
Não pode e nem deve nunca ser em vão
São memórias de doce e de sal
Nosso bem, nosso mal, gotas de recordação
E é importante que nos conheçamos a fundo
E saibamos quanto nos necessitamos
Pois aqui, eis o fim e o começo
A dor e a alegria, eis a noite, eis o dia
É a primeira vez, é de novo, outra vez
Sem ser novamente
É o passado somado ao presente
Colorindo o futuro que tanto buscamos
Por favor, compreendamos que é o princípio
De tudo, batendo com força em nossos corações
E é importante que nós dois saibamos
Que a vida está mais que nunca em nossas mãos
E, assim, nessa hora devemos despir
O que seja vaidade, o que seja orgulho
E do modo mais franco de ser
Vamos juntos ao nosso mergulho
Por favor, compreendamos.
Mergulho, composição de Gonzaga Jr., interpretado por Maria Bethânia.
No exato instante
Em que nós mergulhamos
É preciso entender
Que não estamos somente matando
Nossa fome na paixão
Pois o suor que escorre não seca, não morre
Não pode e nem deve nunca ser em vão
São memórias de doce e de sal
Nosso bem, nosso mal, gotas de recordação
E é importante que nos conheçamos a fundo
E saibamos quanto nos necessitamos
Pois aqui, eis o fim e o começo
A dor e a alegria, eis a noite, eis o dia
É a primeira vez, é de novo, outra vez
Sem ser novamente
É o passado somado ao presente
Colorindo o futuro que tanto buscamos
Por favor, compreendamos que é o princípio
De tudo, batendo com força em nossos corações
E é importante que nós dois saibamos
Que a vida está mais que nunca em nossas mãos
E, assim, nessa hora devemos despir
O que seja vaidade, o que seja orgulho
E do modo mais franco de ser
Vamos juntos ao nosso mergulho
Por favor, compreendamos.
Mergulho, composição de Gonzaga Jr., interpretado por Maria Bethânia.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Pessoas iguais
Imagem: Matrioskas
Reparo na luz que entra pela janela do apartamento. Ainda não é primavera e eu continuo aguardando o telefone tocar. Vejo cada uma das fotografias espalhadas pela casa e algo me diz que alguém, além de mim, vive aqui. Alguém que não consegue combinar sofá e tapetes e coleciona objetos de viagens que simplesmente não se entendem na mesma mesa. Reparo em cada detalhe e me pergunto como cada coisa foi parar em seu lugar (talvez tenham caminhado sozinhas quando anoiteceu), desconfio. De repente percebo que há tantas pessoas iguais neste mundo e me pergunto como envelheci dez anos em tão poucos dias. Como vivi tanto e ao mesmo tempo tão pouco? Quantas vezes o cavalo encilhado passou em frente aos meus olhos e eu não saltei? E eu continuo aqui, feito bobo, reparando em cada detalhe do meu apartamento, esperando a noite chegar. Reparo na luz que entra pela janela, formando sombras junto aos objetos da sala de estar. E eu aqui, sentado, calado, pensando sobre detalhes, um alguém igual a todos os outros, como um objeto da sala.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Quando eu volto do mar
Imagem: O--tebem--o
Eu poderia dizer que desisti.
Mas não, eu não sou assim.
Eu não sou alguém que mergulha
e volta de mãos vazias.
Eu poderia dizer que vou embora,
que não aguento mais,
que não suporto mais o som da sua voz,
mas eu estaria mentindo.
Eu poderia dizer que me arrependi,
que me doei demais,
que saí perdendo, mas não,
eu não sou assim.
Porque eu sou alguém que mergulha
no mais profundo da alma
e encontra lá no fundo um motivo para continuar.
Eu sou alguém que escreve poesias como quem doa pérolas,
as pérolas que encontra lá no fundo...
Eu sou alguém que guarda flores no armário
e veste-as todas as manhãs.
Eu sou alguém que coleciona sonhos.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dos dias em que chove
Imagem de Scarabuss
Nos dias em que chove e tudo fica branco,
meio pálido, eu fico frágil assim, como quem não
consegue escrever uma única poesia...
domingo, 25 de julho de 2010
Se...
"Sei lá o que te dá, não quer meu calor...
São Jorge, por favor, me empresta o dragão..."
Se, Djavan
sábado, 24 de julho de 2010
Recordações
Hoje senti que certas coisas deveriam ficar numa gaveta e não mais saírem de lá. Descobri que cada coisa tem o seu lugar, mas a gente teima em retirá-las. Um bilhete que a gente encontra na agenda, uma fotografia no final do álbum, aquela pessoa que estava quieta no lugar dela e a gente foi procurar.
E tudo traz à tona as recordações. E as recordações trazem à tona os sentimentos. E de repente, tudo se torna complicado, bilhete na agenda se torna saudade, e sentimento se torna ato falho. Aprendida a lição, fica o lembrete: não mexer em nada que esteja quieto em seu lugar.
Imagem do tumblr
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Hoje eu acordei assim
Imagem da web
terça-feira, 20 de julho de 2010
Das minhas urgências
Entra aqui.
Entra e fecha a porta.
Entra e esquece
O que você deixou pra trás.
Equaliza sua vibração com a minha.
Entra aqui e fica...
No meu peito, na minha cama,
Na minha vida.
Entra aqui e fica,
Pra sempre,
Agora...
É urgente!
Imagem: waiting by my window
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A nossa casa

Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Pra você vir e ver
Que eu posso ser
Quem você sempre quis.
Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Com espelhos pra você se ver
E uma cama pra gente não dormir.
Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Nas minhas poesias,
Na minha vida,
Pra sempre.
Eu fiz a nossa casa
Pra você morar aqui,
Eu fiz verão em dia gris,
Pra você vir e ver
Que eu posso ser
Quem você sempre quis.
Imagem: Casa del giardiniere de Claude Monet
As palavras

Dizem que as palavras tem poder. Poder de quê? De transformar ferro em ouro? De transformar? Será que alguém transforma-se ao ler/escrever uma poesia?
Clarice Lispector disse: "Escrevo como se fosse pra salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida". E sabemos que ela, mais do que ninguém, sabia encontrar na escrita o seu escape. Há quem escreva mesmo como uma tentativa, às vezes frustrada, de salvar-se, como quem arrebenta o próprio casulo, como quem sai do ponto de conforto e foge. Simplesmente foge.
Dizem que as palavras tem poder, mas o silêncio também. Muitas vezes o silêncio comunica bem mais e melhor que mil palavras. É o telefone que não toca, a verdade que ninguém quer dizer, a poesia que não se publica, a saudade que se sente em qualquer idioma, seja lá como se traduza esta palavra. Talvez não existam palavras que possam descrever o vazio, a falta, o buraco na alma.
Se soubesse que certas palavras poderiam salvar, eu já as teria escrito antes. Se soubesse que o silêncio queimaria o peito, já o teria transformado em alguma forma de poesia.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Do meu cansaço

Adormeço agora aqui. Adormeço, pois não há nada mais a fazer senão dormir e esperar que as horas passem. E quem sabe ao acordar seja mais feliz, quem sabe ao acordar veja de novo os teus olhos a fitarem o meu rosto. Quem sabe ao acordar eu possa ver-te e então as horas talvez não passem e eu não adormeça mais... quem sabe ao acordar não haja mais o frio que deveras sinto no peito agora... no peito inerte, no corpo morto, na pele que agora é só ausência tua. Adormeço agora.
Imagem da web
sábado, 3 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Eu...
Que vago solitária e desperta, hoje sou mais que o tempo que carrego sobre os meus ombros. Eu que sempre fui ágil e ruidosa como um trovão, agora sou suave como o vento. Eu que, noite sim, noite não, sou tempestade, agora calo o meu brado e ouço o som interior...
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